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BRASILEIRO VESTE CADA VEZ MAIS IMPORTADOS E INDÚSTRIA MIGRA PARA O PARAGUAI

  • há 1 hora
  • 5 min de leitura


Um dos setores mais importantes da indústria de transformação do país, o de vestuário, está estagnado há cinco anos e perde cada vez mais espaço para os artigos estrangeiros.

 

De 2019 a 2025, a participação dos importados no consumo interno de roupas no país deu um salto de quase oito pontos percentuais, de 14,5% em 2019 para 22,4% em 2025.

 

Em peças, o aumento foi de 1 bilhão para 1,54 bilhão de unidades, ou 53% no período. Na comparação com 2024, o crescimento foi de 9,2%.

 

Enquanto isso, a produção de roupas caiu 9,4% no período, de 5,9 bilhões para 5,4 bilhões de peças, a mesma de 2024. Em relação a 2010, a redução é de 1 bilhão de peças, ou de 15,6%.

 

O varejo de vestuário teve performance semelhante em seis anos. Em 2019, vendeu 6,5 bilhões de peças e, em 2025, 6,4 bilhões, o que representou uma queda de 1,9%.

 

O retrato nada auspicioso do setor de vestuário foi feito pelo IEMI – Inteligência de Mercado, empresa que acompanha há décadas o setor responsável por vestir 213 milhões de brasileiros.

 

No ano passado, o desempenho do varejo de vestuário até que teve um respiro e foi melhor do que o da indústria, na comparação com 2024.

 

As vendas do varejo subiram 3,2%, de 6,2 bilhões para 6,4 bilhões de peças, enquanto as da indústria ficaram estabilizadas em 5,4 bilhões de peças em 2024 e 2025.

 

“Mas o fato é que o setor se esforça para se recuperar desde a pandemia e o crescimento que há acaba sendo absorvido pelos importados”, afirma Marcelo Prado, diretor do IEMI.

 

As plataformas de e-commerce asiáticas, como Shopee e Shein, fizeram a festa com peças de vestuário de baixo preço no país, principalmente de 2022 a 2024.

 

Porém, de acordo com Prado, as redes médias e grandes do setor no país, como Zara, C&A, Riachuelo, Renner, também estão contribuindo para o avanço dos importados.

 

O valor da produção brasileira de vestuário foi de R$ 177,4 bilhões em 2025. Na comparação com 2019, houve uma queda de 20%, descontando a inflação (IPCA), segundo o IEMI.

 

Para Prado, essa queda, além da concorrência com os estrangeiros, tem a ver com a pressão sobre os preços pós-pandemia e as mudanças no mix de peças usadas pelos brasileiros.

 

“Os guarda-roupas dos brasileiros estão mais informais, as peças, mais leves, o que resultou em queda do preço médio. De 2019 a 2025, houve redução média de cerca de 3% ao ano”, diz.

 

O varejo de vestuário, diz, sentiu esse movimento. Vendeu R$ 315,5 bilhões em 2025, o que representou uma queda de 6,5% em relação a 2019 (R$ 232,4 milhões), descontando a inflação.

 

‘Pagando o pato’

 

Fernando Pimentel, presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) afirma que o levantamento do IEMI revela que a indústria está ‘pagando o pato’ pela inundação de importados no mercado brasileiro em uma competição injusta.

 

Se o país não tomar providências para evitar ‘o ataque extremamente feroz de empresas da Ásia’, diz, as indústrias têxtil e de vestuário continuarão perdendo mercado para os importados.

 

“Com alguns mercados com políticas mais restritivas para entrada de produtos, como os Estados Unidos, o Brasil, com altos impostos, acabou virando alvo. Se esse quadro não mudar, vamos continuar a perder posição e a levar as nossas indústrias para o Paraguai”, afirma.

 

Cruzando a fronteira

 

O movimento de migração industrial já é visível em diversas empresas do setor. Desde 2015, a Lunelli, fabricante de tecidos, malhas e roupas, possui uma fábrica de 42 mil metros quadrados em Minga Guazú, com foco em jeans e beneficiamento têxtil.

 

A Altenburg, fabricante de artigos para cama, mesa e banho, está desde 2018 em Ciudad del Leste, onde também acaba de chegar a Lupo, com investimentos de R$ 30 milhões, e a Wolf. Essas duas são fabricantes de meias.

 

A indústria mais recente a anunciar a entrada no Paraguai foi a Karsten, fabricante de artigos de cama, mesa e banho, com inauguração de unidade prevista para março em Minga Guazú.

 

A Karsten anunciou que a fábrica do Paraguai irá atender o mercado brasileiro com possibilidade de abastecer também outros mercados no futuro.

 

O Diário do Comércio apurou que a DeMillus, especializada em roupas íntimas, também estuda a ida para o mercado paraguaio, assim como a Kyly, fabricante de roupas infantis.

 

“O Brasil está tendo muita dificuldade para atrair investimentos do setor têxtil, apesar de ser o terceiro maior produtor de algodão em pluma, atrás da China e da Índia”, diz.

 

Legislação trabalhista, judicialização de processos, carga tributária elevada, juros altos, de acordo com Pimentel, provocam medo e afugentam os investidores.

 

Os acordos Mercosul-União Europeia, e com o Canadá e Japão, diz, podem abrir espaço para novos investimentos, mas as condições macroeconômicas não ajudam.

 

“Se o país continuar a colocar custos em setores intensivos de trabalho, quem vai nos agradecer são os empresários da China, Camboja, Vietnã, Paquistão, que estão gerando emprego e renda em seus países”, afirma o presidente da Abit.

 

Regras que preveem a devolução de impostos (cashback) com a aquisição de produtos nacionais podem ajudar o setor e o país, de acordo com Pimentel.

 

Seria uma forma de amenizar os efeitos de um eventual fim da ‘taxa das blusinhas’, uma alíquota de 20% imposta pela Lei 14.902/24 para importações feitas pelo comércio eletrônico.

 

Há discussões sobre o impacto dessa taxa no mercado brasileiro e propostas no Congresso para sua revisão ou revogação por penalizar consumidores de menor renda.

 

Contramão

 

Duas das companhias têxteis mais tradicionais do país, o Grupo Elian e a Kyly, que nasceram para vestir as crianças, informam que estão na contramão do setor de vestuário em geral.

 

om 35 anos, o grupo Elian, que produz 13 milhões de peças por ano em Jaraguá do Sul (SC), tem crescido de 8% a 9% ao ano desde 2019, de acordo com Francisco Alves, diretor comercial e de marketing da empresa.

 

O mercado está de fato mais difícil, diz, mas a empresa está aumentando o número de clientes que trabalham com multimarcas e lançou uma marca (Marialícia) para o público feminino.

 

A Kyly, com fábrica em Pomerode (SC), informa que elevou em 5% a produção de 2019 a 2025 e que tem feito um trabalho para expansão de clientes multimarcas e canais de vendas.

 

Com uma produção de 30 milhões de peças por ano, a empresa opera, além da marca Kyly, com a marca Milon, também de artigos infantis, que já conta com 133 lojas franqueadas no país.

 

“Crescemos fortemente na pandemia e estamos trabalhando com a diversificação de canais, com varejo próprio, multimarcas e e-commerce, além de posicionamento de produtos”, afirma Claudinei Martins, diretor executivo do grupo.

 

A indústria de roupas infantis, diz, sofre menos com os importados do que a que atende o público adulto. Até o final deste ano, o grupo pretende elevar de 133 para 155 as lojas franqueadas. A produção deve subir 3% para atender 12 mil multimarcas e as lojas.

 

“Não há dúvida de que este é um ano com desafios, mas o que sentimos é que o consumidor tende a apostar em marcas em que confia e em empresas bem estruturadas”, afirma.

 

De acordo com projeções do IEMI, a produção da indústria de vestuário deve crescer 0,8% em volume e 4,5% em valores nominais, na comparação com 2025.

 

No caso do varejo, o crescimento deve ser maior, de 1,8% em peças e de 5,4% em valores.

 

Para o IEMI, o que pode favorecer a alta em 2026 são emprego, aumento de renda das famílias, programas sociais, políticas eleitoreiras e redução do IRPF para as classes mais baixas.

 

Os fatores que podem limitar o crescimento são inflação e juros altos, endividamento das famílias, Copa do Mundo e baixa taxa de investimento privado, como reflexo de eleição presidencial e de alterações das regras tributárias.

 

A torcida do setor é para que as condições favoráveis prevaleçam sobre as desfavoráveis.

 

 

(Fonte: Diário do Comércio/Foto: Freepik)

 

 
 
 

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